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Mostrando postagens de dezembro, 2017

Seguindo o líder

Ontem eu tive um médico cardiologista como passageiro. Um senhor de uns 70 anos de idade, descendente de italianos, super falante e bonachão. Disse que havia vendido recentemente seu carro e que agora só andava de Uber ou no carro da esposa. Durante a nossa conversa, comentei com ele sobre os resultados de alguns exames que eu havia feito, pois estava com uma cirurgia agendada para fazer uma correção de desvio no septo nasal. Me perguntou o nome dos médicos. Conhecia tanto o meu cardiologista quanto o otorrino que iria me operar. Na verdade, esse encontro teve algo mais interessante. Em função de mudanças recentes no fluxo de algumas ruas de Santo André e também por uma leitura equivocada que eu fiz no GPS, acabei me atrasando um pouco para chegar ao lugar do embarque. "Você tava perdido?", ele perguntou meio brincando quando eu cheguei. No final da viagem ele me desejou uma boa cirurgia e pediu para eu mandar um abraço para o otorrino. Nos despedimos e quando ele já...

Lições

Mais um dia de bons sentimentos, reflexão e aprendizado com as experiências do Uber: 1. Servir a Deus é servir ao próximo, com amor e humildade. 2. Importante saber não se deixar mover pela ilusão da posse de bens materiais, mas pela certeza do amor em Deus. 3. Saber escolher a que e a quem dar ouvidos faz toda a diferença. No passado eu costumava contabilizar riscos, perdas e situações desastrosas. Agora, o meu foco está nas coisas positivas que me aproximam de Deus. 4. Deus está em tudo e cada pessoa que entrou no meu carro hoje trouxe uma mensagem Dele. A mais inusitada foi a de uma senhora de 80 anos de idade. Anoitecia enquanto eu dirigia pelas ladeiras de Perdizes. Recebo uma chamada e chegando ao local, vejo aquela senhora usando uma bengala e conferindo a placa do carro na tela do celular. Desço, abro a porta traseira, mas ela opta por sentar-se no banco da frente. Pergunto: "a senhora tem o hábito de usar o Uber?". "Só quando não dirijo o meu carro...

Malabares urbanos

Estou parado com o carro num cruzamento, quando aparece um rapaz com malabares de bolinhas e chapéu. Confesso que isso sempre foi algo que me incomodou, pois, por puro preconceito, eu achava além de constrangedor, uma atitude meio invasiva e aproveitadora. Enfim, sempre que tinha algo assim na rua, eu não via a hora em que o sinal ficasse verde. Mas naquele dia foi diferente. De repente eu senti apenas compaixão e amor no coração por aquele rapaz. Vi Deus nos olhos dele! Em cada movimento, gesto e olhar havia a presença divina. Percebi o quanto ele fazia aquilo com amor, atuando de maneira pura e fazendo parecer natural a técnica do equilíbrio e da coordenação com as bolinhas e o chapéu. Eu queria que aquele momento durasse muito! Alegrou o meu dia e eu não pensei em nada. Apenas senti. Ao final da apresentação, ofereci a ele uma barrinha de cereais e o sinal ficou verde. Saí dali chorando de emoção. Mais tarde eu refleti: não podemos julgar, mesmo. Talvez essa seja a única...

Começando

Minha primeira viagem como motorista Uber foi marcante. Na noite de véspera da estreia, dediquei algumas horas assistindo tutoriais com regras e dicas, publicados no site oficial do aplicativo de mobilidade. Num trecho sobre condutas e normas de segurança, eles diziam que não se pode aceitar passageiros menores de idade, desacompanhados (acredito que mais para proteger as próprias crianças e adolescentes de eventuais riscos). Me deitei tarde naquela noite e adormeci pensando em como seria o meu primeiro dia nesse novo trabalho. Acordei por volta das 4h da manhã (sim, eu estava ansioso), e às 6h15, a tela do meu celular exibiu a primeira chamada para uma corrida, com o nome Adriano. "Vamos lá!". Chego em frente ao prédio e me deparo com duas crianças. Uniforme de escola, mochila, prontas para mais um dia de aula. Adriano, o pai, nem deu as caras. Na hora fiquei com aquela dúvida de aceitar ou não, mas acabei agindo no automático e a Isadora (9 anos) e o Alexandre (6 ano...